Tuesday, September 30, 2003

oggi: "da adversidade vivemos". 

Um dia de saudar a medicina: dia de sonhos quimicamente induzidos, dia de pensar em uma música com nome hemirtartarato de remédio maravilha pra esquecer de tudo mesmo.


[stilnox zolpidem: sossego imediato]

E como é dia de falar do Waly Salomão, o meu prediléto:

“MINHA ALEGRIA

minha alegria permanece eternidades soterrada
e só sobe para a superfície
através dos tubos de filtros alquímicos e não da causalidade natural.
ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
minha alegria: um diamante bruto gerado pela combustão,
como rescaldo final de incêndio.”
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Andando pela fábrica sinérgica que Dona Lina fez do SESC pompéia, esqueço de toda adversidade das confusões em que me coloco; esqueço de toda vulgaridade aséptica dos artistas multimeios-multimarcas, de todo olor de peixe podre, de toda falta de esperança que todas essas coisas deixam sangrando. Detenho-me apenas fio por fio nas linhas retas e tortas do espaço maravilhosamente fabríl – na medida que inspira qualquer tipo de pulsão criadora -; a cabeça devora a imagem da enorme boca de jacaré que engole tudo e vomita coisas fabulosas do Waly Salomão, que, com seu bocão, um dia desses de dentro do teatro, em ritmo stacatto, preenchia o concreto com um volumoso de linha e curva e reto e torto:


[o Waly: boca pra vomitar tudo lindo]

“sonho o poema de arquitetura ideal
cuja própria nata de cimento encaixa
palavra por palavra,
tornei-me perito em extrair faíscas das
britas
e leite das pedras.
acordo.
e o poema todo se esfarrapa, fiapo por
fiapo.
acordo.
o prédio, pedra e cal. esvoaça
como um leve papal solto à mercê do
vento
e evola-se, cinza de um corpo esvaído
de qualquer sentido.”

O poema continua, magnífico, mas concentro-me nesse trecho.
E, de performance em performance a arte pesadamente evola-se: o gosto vulgar não percebe o prédio, a inteligentsia paulistana de óculos grossos não encherga um palmo além do óbvio, ela redunda na busca de heróis caducos, na estética cabaço, no ritmo dos impulsos que não permitem nada.


[ o Arto Lindsay: guitar antihero]

E apesar do Arto lindsay tocar sua guitarra como eu gostaria, nada me prende ali: quero ser devorado pelo bocão bicho-papão do Waly e observar de longe o meu próprio atropelamento.



Monday, September 29, 2003

e então, um conselho: 


procurar lá dentro (mesmo que machuque)

Wednesday, September 24, 2003

A orbita que ela percorre 



Era dia de não ser nada em especial. Estar com ela era sempre bom demais, e naquele dia foi como não ser. Foi como ser o elemento mais leve e ao mesmo tempo ser tão pesado que era melhor não ser. Eu peço desculpa mesmo sem que isso seja necessário; ela não quer desculpas , ela quase não quer nada de mim. Ela orbita a própria orbita em um ciclo que não permite a visita de outros planetas. A orbita dela é purissíma mas não tem espaço ao que deveria ser o meu espaço. O meu espaço é bem grande, o meu espaço exige aconchego, o meu espaço não permite repulsa nenhuma.

Sunday, September 21, 2003

estilhaços 



Um dia de ficar de ressaca ouvindo o Bernard sofrer:

"And I'm not the kind that likes to tell you
Just what I want to do
I'm not the kind that needs to tell you
Just what you want me to
I'm not not the kind that needs to tell her
just what the fuck she wants me to"

Saturday, September 20, 2003

... 



tecnologia de deixar a cabeça no lugar dela mesmo

Monday, September 15, 2003

oggi: il CACASO! 

"Lembro-me ainda de remotas estações e meu
amor a ruminar seus demônios dilacerada entre
abutres que bailavam -- vôo silencioso.
Certa noite -- a felicidade espreitava -- instalou-se
o tenebroso inverno e qualquer coisa que não podia
[arrebentou."

cacaso

Saturday, September 13, 2003

nada de permitir a alegria 



acelero meu ser à linha do abismo.
secretamente
um louro devora a esfinge,
que se finge escuridão.

sou só, quem observa?


ressaca totalmente demais 



de novo de novo de novo de novo mesmo:

"some are born to sweet delight
some are born to endless night"

Wednesday, September 10, 2003

ei, ei princesa, você já foi ao Playcenter? 

se você ficar
triste demais,
eu mudo tudo

Saturday, September 06, 2003

Manifesto velho, cinema New Wave 

“se eu morrer nos balanços da epopéia foi pelo triunfo da beleza”
Glauber Rocha



Manifesto mão na cabeça e idéia na camera - Cinema guerrilha ou manifesto suicida

Artigo1,37 – Da filosofia
Parágrafo primeiro – A mão na cabeça simboliza perplexidade – como no Grito de E. Munch – simboliza também a posição do artista perante o funcionamento geral de uma sociedade que oprime a beleza.
Parágrafo segundo – A idéia na camera pressupõe agilidade na transmissão da idéia para o registro de imagens; fluxo continuo de idéia x captação de imagens.
Parágrafo terceiro – A situação exige uma arte de guerrilha. O cinema guerrilha vai contra a concentração de renda, a opressão e exclusão social, o Fascismo, a tradição, a família, a propriedade e gordos ricos que ostentam volumosas panças em alguma churrascaria num dia de Domingo. Conste neste documento que Americanos e Israelenses não são bem vistos.

Artigo 2,41 – Do conteúdo das obras.
Parágrafo primeiro – Burocratas devem ser ridicularizados.
Parágrafo segundo – Publicitários não devem ser tomados como padrão de criatividade.
Parágrafo terceiro – Preferência sexual, cor, credo e ocupação devem ser retratados de maneira livre, cabendo aí o uso do sarcasmo, do humor negro, da ironia, do nonsense e tendo sempre compromisso de dilacerar qualquer atitude hipócrita de bom mocismo. Se Cartola era preto, sambista e cachaceiro; que a beleza seja assim mesmo. E que conste nos autos que o Mussum era o melhor dos quatro Trapalhões.
Parágrafo quinto – O uso da imagem de miseráveis para auto promoção e enriquecimento será considerado mal gosto. Obras assistencialistas ou beneficentes devem ser ridicularizadas.
Parágrafo sexto – Riqueza e ostentação não são admitidos. Que conste no processo que carros blindados são horrorosos.
Parágrafo sétimo – Qualquer registro de imagens em movimento pode ser considerado Cinema, desde que haja um compromisso com a criação de um objeto estético. Estorinhas filmadas podem ser novela, mas nunca cinema. Que conste neste parágrafo que o cinema é arte.
Parágrafo oitavo – Que esteja claro que filmes com apelo emocional e falsa melancolia devem apresentar dentro das salas de distribuição “stands” móveis para distribuição de vodca e Lexotan. No final da exibição deverá ocorrer o concurso da melhor risada quimicamente induzida.
Parágrafo nono – Como se trata de filme Brasileiro, deverá constar pelo menos uma vez a fala: Eu te amo, porra!. Essa clausula não se constituí como obrigatória.

Artigo 3ponto3 – No que se refere à técnica (mas que não seja muito técnica, pois ela pode matar a arte)
Parágrafo primeiro – Os atores não devem ser atores. Conste aqui mesmo que atores de teatro me deixam nervoso. No que diz respeito a cor dos atores, diretores, roteiristas e etc qualquer uma será aceita; desde que não seja verde limão ou rosa pink, porque é “hype” e está na moda.
Parágrafo segundo – Sobre o patrocínio. Patrocínios serão mal-vindos, mas que sejam vindos. Patrocínios de marcas de bebidas, cigarros ou de qualquer outro entorpecente será tolerado. O patrocínio de Industrias automotivas, corporações financeiras, seguradoras e Agências de publicidade não será tolerado. Que conste no processo esse poema de ee cummings:


[imagens do video FELATIO de Pedro Caetano Guedez]

Anexo123b


my specialty is living said
a man ( who could not earn his bread
because he would not sell his head )

squads right impatiently replied
two billion pubic lice inside
one pair of trousers ( which had died )




Parágrafo terceiro – A equipe técnica não deve ter mais de sete (007) integrantes, já que estamos falando de arte e não de produzir um Ford T.
Parágrafo quarto – Que a má qualidade técnica seja a alegoria de nosso subdesenvolvimento.
Parágrafo quinto - À respeito da trilha sonora: que só se use Wagner em cenas gravadas dentro de um shopping center ou em documentários sobre a arquitetura do III reich. Músicos virtuoses, solos longos de guitarra, e grupos vocais de MPB não terão participação expressiva. Que esteja aqui declarado que Rock Gospel é tão ruim quanto a Sandy cantando em Italiano.
Parágrafo sexto – Que o figurino não seja “fashion”, e que a falta de figurino não seja considerada pornografia.
Parágrafo sétimo – Que a iluminação não lembre novelas, sejam elas Brasileiras ou Mexicanas.
Parágrafo oitavo – Que não seja considerada falta grave a ausência de um roteiro.
Parágrafo nono – Que burocratas não infestem o set, ou melhor, que não exista um set e sim um local de filmagem.
Parágrafo décimo – Que haja cerveja para todos no local da filmagem.

Artigo4,375 – Das conclusões
Parágrafo primeiro – Que esteja claro que o objetivo desse manifesto é demolir com o modelo corporativo da produção de cinema e arte.
Parágrafo segundo – Lembrar que o cinema, como arte, só pode ser autoral.
Parágrafo terceiro – Salientar que o primor técnico é para idiotas ou americanos. Perfeccionismo tem muito pouco haver com perfeição.
Parágrafo quarto e último – Que essas são só idéias e não devem ser seguidas à risca, porque esse negócio de seguir à risca é coisa de gente chata. Tem mais não.


São Paulo, Caos, inverno de 2001

Autorizo, lavro e dou fé


Sombra escura 

O horror ou um novo FREITAS. Clica clica e fica com medo.

Wednesday, September 03, 2003

Conheça os FREITAS! 

Feichismo malufista de primeira:FREITAS1, clica clica e conhece.



A muito famosa Miss Calçadão 


Depois de incursões frustradas no mundo da moda, a miss calçadão Caraguátatuba 1997”, F.C., 24 se lançou no mundo decadente das feiras e eventos. Molestada e desiludida acabou por voltar para sua cidade natal, a bela Caraguatatuba, onde hoje dirige um trailer de lanches rápidos.
Com os cabelos engordurados e sofrendo de depressão profunda ela não mais pensa no glamour dos concursos de camiseta molhada que ocorriam durante o verão.

Então clica clica e vai ver a Elaynne, Miss Calçadão 97.


O homem que teve a namorada abduzida por um publicitário 

Era só mais um galpão naquele bairro industrial, nada de espantar a classe média..
O que Pequena não sabia e que nos porões escuros daquele bunker suburbano escondiam uma verdade terrível: sob o poder despótico de um monstro medonho trabalhavam incessantemente algumas dezenas de zumbis pálidos, perdidos entre os dias e as noites, confinados em trevas confeccionando e vendendo filmes publicitários. Terríveis e sebosos comerciais.



Sobre o monstro sabia-se pouco; atendia pelo infame cognome Bola de pus e trajava-se com uma enorme túnica romana. Segundo os que haviam testemunhado sou presença hedionda, ele ostentava no mínimo quatrocentos quilos de uma massa heterogênea de carne, ossos e predominantemente, tecido adiposo - movia-se com
dificuldade.

Conheça a Marylong e fique feliz demais.

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