Friday, March 19, 2004

[o traço vagabundo] 

rapto. o seu perfume e o transe. a noite e imaginar por muitas horas como você poderia ser. pensar coisas que não importam, escrever coisas que não dizem nada, só pela contingência do passar do tempo. muitos dias sem ressaca e desespero e sonhar com o deserto e imaginar um plano bem aberto, um plano sequência e você longe ficando perto. o transe. o desejo vadio; um cão magrelo; música vulgar.

e sem ressaca lembrar dos sonhos da noite toda. procurar lá dentro e não sentir dor ou nada mesmo. e os dedos meio sem vontade, o traço vagabundo, as cores fáceis. fora isso: sua cara de criança, um sorriso meio débil que é bom de lembrar mas que eu não quero por nada que pese menos que um rio de mercúrio ou mesmo que um único àtomo de hélio. não quero.

o rastro do tempo agora me agrada. o rastro do tempo e a falta de desejo; não lembrar do desespero e tudo funcionando em um aparente moto-perpétuo: agora eu monto o tempo, agora o acaso traça o rastro do meu desejo.

Thursday, March 11, 2004

::::::::::::: limite do desejo 

desejo um
desejo
que não existe

existo muito
perto do limite

mergulho meu
corpo entre o
meu e o seu sumiço

[e hoje - noite de lua]

o sono teimoso e esquivo;
insisto desperto e imagino
esse sonho esquecido:
desprezo do desejo
que não é meu.

Wednesday, March 03, 2004

le petit soldat ::: AK 


é que o godard se enganou: mozart se ouve na alvorada.



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