Thursday, March 17, 2005

penas queimadas 

muito tempo perdido dessa vez.

o tempo é tudo, o tempo é todo o cinema, o tempo é tudo que se tem e se pode perder. esqueci de escrever, esqueci pois todas aquelas contingências efêmeras de outros tempos perderam o sentido. eu perdi um pouco do sentido, fiquei burro: tentei e consegui.

quatro e meia, bebendo vinho, cultivando um estranho reverso da vaidade, deixando você pra trás. e você comeu minha poeira. e mais nada que eu tenha pra te dizer.

o lirísmo perdido, as penas queimadas. tantas coisas que eu não me lembro mais e que parece que ficaram décadas atrás, mas passaram-se poucas semanas. esse meu fascínio pelo tempo e sua mais íntima qualidade de ser relativo.

os espaços são os mesmos: ainda estou nessa cadeira; ainda seguro esse copo; minha barriga cresceu, minha barba cheia de falhas também - foi o passar do tempo e não do espaço.

se os espaços encolhem eu digo pro tempo encolher junto e escrevo de novo em um tiro só.

me valendo do tempo sem olhar pro lado errado.

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