Thursday, June 30, 2005

fugir com a desculpa 

calma alvorada, calma. ainda é quinta, ainda é quinta por que eu não fui dormir.
tchau miltão, bonita a calçada brilhante desse sereno sujo, né? eu acho. mais um dia branco, tá então.
ninguêm me disse o que queria dizer. na fila do banheiro eu tirei a tia do bolo pra dançar, falei: percebe essa linha de baixo, percebe? a tia pára de torcer o pescoço pra lá e pra cá e sorri, toda encantos: "quinta passada tirei o peter hook pra fazer uma dancinha" - a tia do bolo tá taradinha - passou a helena falando pra livia.
eu achei aquela dancinha delirante, pensei outra vodka e fui lá buscar, no meio tempo, o bruno, galante e bailarino, tirou a tia pra dançar e ela derreteu.
sobrou o copo de plåstico amassado e esses desejos de vodka; sobrou o assunto teimoso da fila do banheiro; sobrei descendo a mourato coelho de frente pra alvorada com essa linha de baixo gostosa que não sai da cabeça. quanta melancolia na minha calma, esses dias brancos às vezes nem me percebem.

"fugir, com a desculpa de te ver."

nuvens altas 

é junho, mas parece novembro.

quente demais, seco demais; nuvens altas, céu azul.

meu cão morreu, esperou pelo inverno que não veio.

cansou do calor, morreu.

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