Tuesday, November 08, 2005
ossobuco
quase gripado.
fiz sopa: ossobuco de cordeiro, cenoura, gengibre, madioquinha, vinho.
será o cordeiro um carneiro jovem?
cresceu um pouco, morreu - foi morto -, acabou fatiado na prateleira do supermercado.
fatiado dentro de uma bandeja de isopor branco.
eu te dei um fim digno, te fiz uma sopa gostosa, pra me tirar dessa gripe.
sempre se pode enfeitar a tragédia, ela se presta bem à esse papel.
a àgua de beber quase acabando.
uns estampidos do vento na janela,
as respostas em ondas de amor.
as vezes bob dylan é chato, vou ouvir patsy cline.
música da ronda da madrugada.
vi um film americano que quase me emocionou, mas mesmo assim passou ao longe.
pensei nas coisas pra fazer, as dívidas com o banco, com os outros, comigo mesmo.
vou deitar e ler um livro acadêmico, vou manter a espinha curva, dormir de luz acesa.
chove todo dia e eu fico achando que o verão não vai vir. ele tá ali do lado, dobrando o ecuador.
saudade dos tempos de fúria, daquele odisseu tristonho, vou me acostumando a nova pele.
sem muita vontade de escrever, vivendo a vida praticamente, sem muita firula.
"o sapo pula por precisão, não por estética."
mas há de haver beleza,
mas há de se navegar.
vou vivendo.
vou deitar, vou ler um livro acadêmico. mama vem para o almoço, despertador para às onze e meia.
essas janelas atormentadas pelo vento. vou escovar o dente, ler um livro acadêmico, deixar a espinha curva,
deixar o barco ancorado.
fiz sopa: ossobuco de cordeiro, cenoura, gengibre, madioquinha, vinho.
será o cordeiro um carneiro jovem?
cresceu um pouco, morreu - foi morto -, acabou fatiado na prateleira do supermercado.
fatiado dentro de uma bandeja de isopor branco.
eu te dei um fim digno, te fiz uma sopa gostosa, pra me tirar dessa gripe.
sempre se pode enfeitar a tragédia, ela se presta bem à esse papel.
a àgua de beber quase acabando.
uns estampidos do vento na janela,
as respostas em ondas de amor.
as vezes bob dylan é chato, vou ouvir patsy cline.
música da ronda da madrugada.
vi um film americano que quase me emocionou, mas mesmo assim passou ao longe.
pensei nas coisas pra fazer, as dívidas com o banco, com os outros, comigo mesmo.
vou deitar e ler um livro acadêmico, vou manter a espinha curva, dormir de luz acesa.
chove todo dia e eu fico achando que o verão não vai vir. ele tá ali do lado, dobrando o ecuador.
saudade dos tempos de fúria, daquele odisseu tristonho, vou me acostumando a nova pele.
sem muita vontade de escrever, vivendo a vida praticamente, sem muita firula.
"o sapo pula por precisão, não por estética."
mas há de haver beleza,
mas há de se navegar.
vou vivendo.
vou deitar, vou ler um livro acadêmico. mama vem para o almoço, despertador para às onze e meia.
essas janelas atormentadas pelo vento. vou escovar o dente, ler um livro acadêmico, deixar a espinha curva,
deixar o barco ancorado.