Sunday, March 19, 2006
Tuesday, March 14, 2006
aquele seu cheiro provisório, aquele eterno sabor de amor perdido; que bom que ele voltou, e com ele todo o medo de te perder e com ele todo o prazer de te ter por um momento. A gente sabe que esses sabores tem que ficar, isso é tão claro, e se você for, eu vou até onde for preciso, eu escrevo todos os parágrafos pobres e vou até aquele lugar onde todos são feios e mancos e sujos pq assim deve ser melhor.
o seu cheiro ficou na ponta dos dedos, ficou absorvido pelo tempo guardado, eu queria escrever algo melhor, mas agora só sobrou isso e isso é muito pouco. Tem dias que a sorte vem e o azar faz falta, o azar sobra e eu encontro o amor em tudo e assim é bem melhor.
desse jeito pode sobrar o tempo perdido e o tempo pode ser compadre de todo aquele lugar sincero que não estivemos, eu vou lá ver - com, sem, ou apesar do seu amor.
dessa vez vamos juntos, temos que ir.
o seu cheiro ficou na ponta dos dedos, ficou absorvido pelo tempo guardado, eu queria escrever algo melhor, mas agora só sobrou isso e isso é muito pouco. Tem dias que a sorte vem e o azar faz falta, o azar sobra e eu encontro o amor em tudo e assim é bem melhor.
desse jeito pode sobrar o tempo perdido e o tempo pode ser compadre de todo aquele lugar sincero que não estivemos, eu vou lá ver - com, sem, ou apesar do seu amor.
dessa vez vamos juntos, temos que ir.
Wednesday, March 08, 2006
mormaço
Procurando por aquele processo importante de "limpeza do plano", recuperando nas gavetas as coisas fundamentais deixadas de lado. muito ruído, muita dispersão, muitos entroncamentos obliquos à esquerda - saidas sem saida.
"O verão não tem um dia que o caracterize", não, os dias do verão nos afogam na sua confusa relação entre os olores úmidos, as noites abafadas e o mormaço; e tudo se dilui nesse mormaço: as sombras, o tempo, os suores. e eu fico procurando pela distinção exata entre a linha da sombra e o volume chapado brilhante da luz, não sei dizer em que lado ficam mais as coisas, em que lado está você, ou mesmo se ainda existe a possibilidade de que tudo seja definido. o mormaço pode ter coberto toda a minha experiência com seu manto caudaloso. eu tomo um banho gelado e traço o corte que não abre um fio certo para essa nova toada. eu espero então que, como as estações, esse processo se guie sozinho pela linha cega e infinita do tempo e que tudo volte a ser cristalino.
que o mormaço nos abandone.
"O verão não tem um dia que o caracterize", não, os dias do verão nos afogam na sua confusa relação entre os olores úmidos, as noites abafadas e o mormaço; e tudo se dilui nesse mormaço: as sombras, o tempo, os suores. e eu fico procurando pela distinção exata entre a linha da sombra e o volume chapado brilhante da luz, não sei dizer em que lado ficam mais as coisas, em que lado está você, ou mesmo se ainda existe a possibilidade de que tudo seja definido. o mormaço pode ter coberto toda a minha experiência com seu manto caudaloso. eu tomo um banho gelado e traço o corte que não abre um fio certo para essa nova toada. eu espero então que, como as estações, esse processo se guie sozinho pela linha cega e infinita do tempo e que tudo volte a ser cristalino.
que o mormaço nos abandone.
enchente
Ali, naquele labirinto que é Veneza, por entre os olhares débeis de cores vulgares que tinge a face daquela multidão de turistas, vi seu olhar profundo; como o meu e o seu se cruzassem, fui à teu encontro. Já era tarde, no emaranhado de vielas recheadas de vozes feias a tua beleza evaporou. Te procurei até que o sol ficasse gelado e eu perdido.
Meu olhar entristeceu dopado e o último gole de vinho eu babei, deixando babado em vermelho o algodão azul.
Meu olhar entristeceu dopado e o último gole de vinho eu babei, deixando babado em vermelho o algodão azul.