Friday, May 09, 2008

a pulsação do nosso amor convergiu em você e te ver pela primeira vez foi como ser nocauteado com um soco no fígado e ouvir todas as notas mais perfeitas de um charlie parker idílico, sereno e pleno. e retomar o fôlego e encher o peito e testemunhar o paraíso intocado sem nenhum leão por perto. eu me lembro de flutuar e tocar todos os abismos lindos que eu sempre desejei e não conhecia.

você é o nosso amor incerto sem desastre certo. completamente aterrador.

de partida eu peço perdão - e não tem perdão - porque ficamos sempre te devendo, sua ruiva rouca perfeita.

..

agora eu fico com muita saudade: você e a mamãe foram ficar um dia longe. e eu sou aquele loiro que acha que fica bem no modo solo, mas queria as duas aqui por perto.

..

ontem, ou todo o mesmo dia:



você fez o tempo congelar e se alongar em um infinito imediato. agora mesmo tateando no escuro e perseguindo esses monstros dementes que moram dentro de mim, já sei que esse é o caminho e que vai ficar tudo lindo.

pensei tanto ouvindo o disco dos ramones com o phil spector e como em raras vezes as belezas todas do mundo entram em foco, mas esse é outro capítulo. mas vai ser sempre sobre os meus amores.





o amor todo do papai.

todos os tombos
as mulas cegas
os bobos
mongos
e a corte
débil


eu
não

o vazio
não sabe
mas
fora

há você

e
um espectro
fantástico
de coisas
cheias

cheias

Thursday, May 08, 2008

cacto 

O tempo entrecortado e nervoso do homem contemporâneo, o bicho ansioso, atolado na febre de tudo e na avalanche do saco sem fim. Cruzo os dedos e tento acertar o relógio, as horas me alcançam e levantam poeira, perco o passo e tento e lamento; deve ter uma maneira de sentir um pouco e fazer com que o mundo faça sentido.

O destino corre no eixo e ainda assim tudo constrói uma linha de desacertos, queria ser o mesmo e queria ser outro, queria conter as represas medonhas de mim mesmo - esse passo cego e coxo.

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